sábado, 30 de junho de 2012

POEMA DA NOITE



Trouxe o sol à poesia
mas como trazê-lo ao dia?
No papel mineral
qualquer geometria
fecunda a pura flora
que o pensamento cria.
Mas à floresta de gestos
que nos povoa o dia,
esse sol de palavra
é natureza fria.
Ora, no rosto que, grave,
riso súbito abria,
no andar decidido
que os longes media,
na calma segurança
de quem tudo sabia,
no contato das coisas
que apenas coisas via,
nova espécie de sol
eu, sem contar, descobria:
não a claridade imóvel
da praia ao meio-dia,
de aérea arquitetura
ou de pura poesia:
mas o oculto calor
que as coisas todas cria.

João Cabral de Melo

quinta-feira, 28 de junho de 2012

INVENÇÃO DA NOITE




Deste silêncio e desta treva
construo a minha noite
particular e intransferível.
Não preciso inventar as estrelas,
elas nascem e brilham por si mesmas.
E à meia-noite uma lua triste
levanta a cara de prata no horizonte
e verte nos meus olhos um choro, um frio.

Anderson Braga Horta
In Fragmentos da Paixão

UM POEMA QUE LI OUTRORA



A madrugada, fresca e linda,
rompendo as trevas, encontrou
a Natureza adormecida ainda.

Súbito, uma ave, num pipilo
límpido e claro, despertou
a árvore enorme que lhe dera asilo...

E a árvore, comovida,
transmitiu à floresta secular
o doce frêmito de vida.

E floresta levou-o ao céu distante,
e o céu mandou-o ao mar...

E, assim, no deslumbramento desse instante,
toda a Terra, a florir, pôs-se a cantar!...


Tasso da Silveira
in Poemas

terça-feira, 26 de junho de 2012

NOTURNO



(Nítido, flui o luar na noite imensa.)

Denso jardim de arranha-céus,
Florindo anúncios luminosos
E as rumorosas multidões
Dos que não sabem estar sós.

(Largo silêncionoturno,
Todo bordado de grilos).

Gritos histéricos de “jazz”
E o soluçar dos saxofones
Dilaceram a noite.

(Um vento embalsamado embala o luar.)
Vão naufragar no despero
Os que colheram ainda verde
O fruto mágico da vida
E, para sempre, ignoram seu sabor profundo.

(Em silêncio, a alma exala
Um perfume de oração.)

Helena Kolody,
in A Viagem no ESpelho

segunda-feira, 25 de junho de 2012

VESPERTINO



Sobre as veigas e campos perfumados
Se estende um véu de sombras e palores;
Cingem, no entanto, vívidos fulgores
Os denegridos cerros escalvados.

Enxada ao ombro em cismas mergulhados
Voltam do campo os rudes lavradores;
Soam no ar bucólicos rumores;
Doces mugidos, cantos magoados.

Ao longe o sino em doloroso acento
Geme uma prece; a juriti suspira,
De quando em vez, um brado de lamento.

E na floresta – gigantesca lira –
Vai tristes nênias entoando o vento
Ao rei da luz que no poente expira.

Pe. Antônio Tomaz

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A LUA



A lua
triste na sua solidão,
a despeito de viver
entre as estrelas,
balangando no céu,
deseja
desesperadamente
estar na Terra.
Se deita no fundo
de qualquer poça.

Humberto Ak'abal

OUVIR ESTRELAS



Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
 
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
 
Direis agora: Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?
 
E eu vos Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
 
Olavo Bilac

quinta-feira, 21 de junho de 2012

OUTONO



As folhas caem como se do alto
caíssem, murchas, dos jardins do céu;
caem com gestos de quem renuncia.

E a terra, só, na noite de cobalto,
cai de entre os astros na amplidão vazia.

Caimos todos nós. Cai esta mão.
Olha em redor: cair é a lei geral.

E a terna mão de Alguém colhe, afinal,
todas as coisas que caindo vão.


Rainer Maria Rilke,
In Poemas e cartas a um jovem poeta 

A LUA



Há tanta solidão nesse seu ouro.
A lua dessas noites não é a lua
Que viu o primeiro Adão. Os longos séculos
Da vigília humana cumularam-na
De antigo pranto.
Olha-a.
É teu espelho.

Jorge Luis Borges
in A Moeda de Ferro

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A NOITE RIMADA






Pela serra ao luar
Ia um menino sozinho
Sem sono para se deitar.
Ia o menino a pensar
Por que seria ele só
Sem sono p'ra se deitar.
Ia o menino a pensar
Que há tanto por pensar
E a cidade a descansar.
E o menino a pensar
Por que seria ele só
Sem sono p'ra se deitar.
Quem dorme sem ter pensado
Deve ter sono emprestado
Não é sono bem ganhado.
Ia o menino a pensar
Como poder arranjar
Muita força p'ra pensar.


José de Almada Negreiros

segunda-feira, 18 de junho de 2012

PEQUENA CANÇÃO




Pássaro da lua,
que queres cantar,
nessa terra tua,
sem flor e sem mar?

Nem osso de ouvido
Pela terra tua.
Teu canto é perdido,
pássaro da lua...

Pássaro da lua,
por que estás aqui?
Nem a canção tua
precisa de ti!

CECÍLIA MEIRELES
In: Vaga Música 

SERENATA



Plenilúnio de maio em montanhas de Minas!
Canta ao longe uma flauta e o violoncelo chora,
perfuma-se o luar nas flores das campinas,
subtiliza-se o aroma em languidez sonora.

Ao doce encantamento azul das cavatinas,
nessas noites de luz mais belas do que a aurora,
as errantes visões das almas peregrinas
vão voando a cantar pela amplidão afora...

E chora o violoncelo e a flauta, ao longe, canta.
Das montanhas cantando, a névoa se levanta,
banhada de luar, de sonhos, de harmonia.

Com profano rumor, porém, desponta o dia
e, na última porção da névoa transparente,
a flauta e o violoncelo expiram lentamente


Augusto de Lima

SOMBRAS AMIGAS




Sombras da noite, leves como as aves,
Aconchegos e frêmitos de amores,
Que em nossas asas de esquisitas cores
Subam para o Alto os meus anseios graves.

Sombras flébeis, tenuíssimas, suaves,
Emigras de um chão de negras flores,
Levari-me as mágoas e as secretas dores
Pelas mais altas e silenciosas naves...

Ascendendo às alturas das montanhas,
Que os meus anseios de ferais entranhas,
Que todo esse clamor de ansiedade,

Erre junto de nós, sombras da noite,
E numa estrela rútila se acoite,
Em busca de repouso e de piedade.


Araújo Figueiredo,
in Versos Antigos 

sábado, 16 de junho de 2012

O PÁTIO




Com a tarde
cansaram-se as duas ou três cores do pátio.
Nesta noite, a lua, o claro círculo,
não domina seu espaço.
Pátio, céu canalizado.
O pátio é o declive
por onde se derrama o céu na casa.
Serena,
a eternidade aguarda na encruzilhada de estrelas.
Grato é viver na sombria amizade
de um saguão, de uma parreira e de um poço.



Jorge Luis Borges,
in Primeira Poesia 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

ERNANI ROSAS



Deixei-ME anoitecer à sombra da ramada;
Entardeci em sonho e em alma floresci...
Entristece-me a paz da noite e a compassada
canção do grilo a rir na trama em que me vi!

Ernani Rosas
In História do Gosto e Outros Poemas 

DENTRO DA NOITE



De dentro da noite
eu fui te buscar
com palavra tua,
toda nua...
qual pétala em flor!

E encontrei contigo, lá
os meus versos,
teu olhar, teu sorriso,
o paraíso,
onde o silêncio é mistério...

Eu fui te buscar,
na insônia das horas
e assim te buscando,
a vida é tão nossa,
que tudo lá fora pertence a nós dois!

De insônia em insônia,
como ave pequena,
na ânsia do afago ...
consigo sonhar
lá, dentro da noite!

Alvina Tzovenos
In Sonhos e Vivências 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

ALMA ESTRANGULADA




 
Cada um de nós que vai por essa estrada deserta
sente que uma multidão de espíritos vive dentro de si.
Às vezes nos surpreendemos tão diferentes de nós mesmos...

(As sombras na alma pesam tanto, são tão quietas,
como a noite, são tão frias, como o luar).

... tão diferentes, como se, de súbito,
uma multidão de espíritos vivesse dentro de nós.


Emílio Moura
Itinerário Poético

terça-feira, 12 de junho de 2012

LOUCA


Súbito
Em meio àquele escuro quarteirão fabril
Das minhas mãos se escapou um pássaro maravilhoso
E eu te amei como quem solta um grito,
Ó Lua enorme
Incompreensível...
Por que sempre me espantas e me assustas, Louca,
Como se eu te visse sempre pela primeira vez?!

Mario Quintana
In Baú de Espantos

VIAGEM




O sono é uma viagem noturna:
o corpo horizontal no escuro
e no silêncio do trem, avança,
imperceptivelmente avança... Apenas
o relógio picota a passagem do tempo.
Sonha a alma deitada no seu ataúde:
lá longe
lá fora
no fundo do túnel,
há uma estação de chegada
(anunciam-na os galos agora)
há uma estação de chegada com a sua tabuleta ainda
toda orvalhada...
Há uma estação chamada...
AURORA!

Mario Quintana
In Baú de Espantos

NOTURNO II




Pensam que estou dormindo. Mas, do meu velívolo,
eu avisto a cidade.
Em cada janela acesa (umas poucas)
um poeta, noite alta, poetando...
Tu dirás que imagino coisas loucas!
Mas era assim que eram as coisas
nos tempos da primeira mocidade... Pouso
lá na torre da igreja.
Imobilizo-me.
Vês?
(ou estarei apenas sonhando
que faço um poema?)

Mario Quintana
In Baú de Espantos

A CASA FANTASMA



A casa está morta?
Não: a casa é um fantasma,
um fantasma que sonha
com a sua porta de pesada aldrava,
com os seus intermináveis corredores
que saíam a explorar no escuro os mistérios da noite
e que as luas, por vezes,
enchiam de um lívido assombro...
Sim!
agora
a casa está sonhando
com o seu pátio de meninos pássaros.
A casa escuta... Meu Deus! a casa está louca, ela não
sabe
que em seu lugar se ergue um monstro de cimento e
aço:
há sempre uma cidade dentro de outra
e esse eterno desentendido entre o Espaço e o Tempo.
Casa que teimas em existir
a coitadinha da velha casa!
Eu também não consegui nunca afugentar meus
pássaros.

Mario Quintana
In Baú de Espantos

domingo, 10 de junho de 2012

XXXV



O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.


Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos.


Alberto Caeiro

SE VOCÊS NÃO SE INCOMODAM




Se vocês não se incomodam
vou morrer esta noite um pouco mais
Não como quem se vai ou desanima
mas como quem
dá hora extra numa usina.


Se vocês me permitem
morrerei durante o dia um outro tanto
como quem se consome
num trabalho que o fascina.


Não há tristeza nisto.
Desde Ovídio a natureza nos ensina:
a nuvem desmancha-se em outra
sem chorar
e o rio hora nenhuma se arrepende
de seu encontro com o mar.


Affonso Romano de Sant'Anna


sexta-feira, 8 de junho de 2012

NOITE TRÁGICA



O pavor e a angústia andam dançando...
Um sino grita endechas de poentes...
Na meia-noite d´hoje, soluçando,
Que presságios sinistros e dolentes!...

Tenho medo da noite!... Padre nosso
Que estais no céu... O que minh´alma teme!
Tenho medo da noite!... Que alvoroço
Anda nesta alma enquanto o sino geme!

Jesus! Jesus, que noite imensa e triste!
A quanta dor a nossa dor resiste
Em noite assim que a própria dor parece...

Ó noite imensa, ó noite do Calvário,
Leva contigo envolto no sudário
Da tua dor a dor que me não ´squece!

Florbela Espanca
in "A Mensageira das Violetas" 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

LIÇÃO DAS ONDAS




O que viu a morte nas águas
aprendeu a lição das ondas:
todas as marés são breves
porque acompanham o desespero da lua
exaltando no branco da espuma
a tragédia de viver à sombra
de outra luz que não a sua.

José Jorge Letria
In Percurso do Método

terça-feira, 5 de junho de 2012

SOLIDÃO



Imensas noites de inverno,
com frias montanhas mudas,
e o mar negro, mais eterno,
mais terrível, mais profundo.
Este rugido das águas
é uma tristeza sem forma:
sobe rochas, desce fráguas,
vem para o mundo, e retorna...

E a névoa desmancha os astros,
e o vento gira as areias:
nem pelo chão ficam rastros
nem, pelo silêncio, estrêlas.

A noite fecha seus lábios
— terra e céu — guardado nome.
E os seus longos sonhos sábios
geram a vida dos homens.

Geram os olhos incertos,
por onde descem os rios
que andam nos campos abertos
da claridade do dia.


Cecília Meireles
in "Poesia Completas"

À BOCA DA NOITE




Não olhes: é a noite
completa que tomba.

Não olhes: é a estrada
que, súbito, acaba.

Não olhes: é o anjo,
teu anjo que chora.

Não olhes.

Emílio Moura

COMO A NOITE DESCESSE




Como a noite descesse e eu me sentisse só, só e desesperado
diante dos horizontes que se fechavam
gritei alto, bem alto: ó doce e incorruptível Aurora! e vi logo
só as estrelas é que me entenderiam.

Era preciso esperar que o próprio passado desaparecesse,
ou então voltar à infância.
Onde, entretanto, quem me dissesse
ao coração trêmulo:
- É por aqui!

Onde, entretanto, quem me dissesse
ao espírito cego:
- Renasceste: liberta-te!

Se eu estava só, só e desesperado,
por que gritar tão alto?
Por que não dizer baixinho, como quem reza:
- Ó doce e incorruptível Aurora...

se só as estrelas é que me entenderiam?


Emílio Moura

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A ESTRELA




Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.

Manuel Bandeira

O MAR DO CREPÚSCULO




Eis a terra que o crepúsculo banha,
Eis as orlas do Mar Amarelo;
Por onde se ergueu e aonde se abala,
São estes os ocidentais mistérios.

Noite após noite, seu tráfego purpúreo
Cargas de opala pelo cais dispersa;
E mercadores ponderam sobre horizontes,
Calculam rumos e somem em barcos de sortilégio.

Púrpura –
A cor das rainhas é esta –
A cor de um sol, no poente;
- Ainda, além dessa, o âmbar;
E o berilo – se o dia vai a meio.

Quando à noite, porém, amplidões de aurora
Atingem, de súbito, os homens –
Essa cor, e o feitiço, Mas, a Natureza
Reserva um lugar, também, para os cristais de iodo.


Emily Dickinson
in Poemas de Emily Dickinson

EMILY DICKINSON



Longe uma pálida Estrela
Sua luz alçou –
A Lua o chapéu de prata
Lívida soltou –
Clara iluminou-se a Noite
No Salão Astral –
Meu Pai, ao Céu me dirijo,
Tu és pontual –

Emily Dickinson

domingo, 3 de junho de 2012

''SEM RETORNO ''




Nada se repete na travessia.
Longa despedida sem retorno.
Marcos de nunca mais
balizam o contínuo transformar-se.

Vivos desenhos de sombra
sublinham o passante
e se desvanecem
ao anoitecer.


Helena Kolody
in ‘Viagem no Espelho’ 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A NOITE



A noite vem buscar secretamente
através das dobras das cortinas
brilho de sol esquecido em teu cabelo.
Olha, nada mais quero que não seja ter
entre as minhas tuas mãos, e ser
tranqüilo e bom, todo cheio de paz.

Fazes-me crescer a alma que estilhaça
o dia-a-dia em cacos; e assim ganha
uma amplitude que é milagre teu:
Nos seus molhes de aurora vão morrer
as primeiras ondas de infinidade.

Rainer Maria Rilke
(Tradução: Augusto de Campos)

AMO AS HORAS NOTURNAS



Amo as horas noturnas do meu ser em
que se me aprofundam os sentidos;
nelas fui eu achar, como em cartas velhíssimas,
já vivida a vida dos meus dias
e como lenda longínqua e superada.

Delas eu aprendi que tenho espaço
para uma segunda vida, vasta e sem tempo.

E por vezes me sinto como a árvore
que, madura e rumorosa, sobre uma campa
realiza o sonho que o menino foi
(em volta do qual apertam suas raízes quentes)
e perdeu em tristezas e canções.


Rainer Maria Rilke
(In ‘Poemas As Elegias de Duíno Sonetos a Orfeu’,

PÓRTICO



Quem quer que sejas: Quando a noite vem,
sai do teu quarto onde tudo conheces;
a tua casa é a última ante o longe:
Quem quer que sejas.
Com teus olhos, que, de cansados, mal
conseguem libertar-se do teu limiar gasto,
levantas devagar uma árvore negra
e põe-la ante o céu: esguia, só.
E fizeste o mundo. E ele é grande
e como palavra ainda a amadurar no silêncio. E
quando o teu querer abrange o seu sentido, teus
olhos o abandonam, ternamente ...


Rainer Maria Rilke
in "Poemas - Elegias de Duíno - Sonetos a Orfeu",