quarta-feira, 2 de maio de 2012

MEDITAÇÃO NOTURNA


Desditosas estrelas, como eu vos lamento!
Que belas sois e assim brilhais,
Esplendorosamente!

Luzes que refulgis ao nauta em noite escura,
Esquecidas de Deus e dos homens, estrelas!
Porque amor não tendes,
Nem do amor, jamais, a flor colhestes.
E assim viveis, ininterruptamente,
Carpindo a marcha das eternas horas
Pelos caminhos mil da imensidade.

Que viagem, porventura, que esquisita viagem
Não tereis vós concluído,
Enquanto, no doce enlevo,
Entre os braços daquela que eu adoro,
De vós, estrelas, e da noite escura,
Há muito me esquecera!

Johann Wolfgang Von Goethe
In Poesias Escolhidas

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