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24 de abr. de 2015

Voz da Noite


Voz da Noite
(Helena Kolody)

O sol se apaga.
De mansinho,
a sombra cresce.
A voz da noite
diz, baixinho:
esquece... esquece...


2 de out. de 2012

SUBITAMENTE



Subitamente,
anoiteceu em mim.

Pungiu-me a dor de viver.

Helena Kolody
in Correnteza 

4 de set. de 2012

INVENÇÃO




Invento uma lua cheia.
Clareia a noite em mim.

Helena Kolody,
in Viagem no ESpelho

23 de jul. de 2012

ANOITECER



Amiudam-se as partidas...
Também morremos um pouco
no amargor das despedidas.


Cais deserto, anoitecemos
enluarados de ausências.

Helena Kolody,
in Infinito Presente

26 de jun. de 2012

NOTURNO



(Nítido, flui o luar na noite imensa.)

Denso jardim de arranha-céus,
Florindo anúncios luminosos
E as rumorosas multidões
Dos que não sabem estar sós.

(Largo silêncionoturno,
Todo bordado de grilos).

Gritos histéricos de “jazz”
E o soluçar dos saxofones
Dilaceram a noite.

(Um vento embalsamado embala o luar.)
Vão naufragar no despero
Os que colheram ainda verde
O fruto mágico da vida
E, para sempre, ignoram seu sabor profundo.

(Em silêncio, a alma exala
Um perfume de oração.)

Helena Kolody,
in A Viagem no ESpelho

3 de jun. de 2012

''SEM RETORNO ''




Nada se repete na travessia.
Longa despedida sem retorno.
Marcos de nunca mais
balizam o contínuo transformar-se.

Vivos desenhos de sombra
sublinham o passante
e se desvanecem
ao anoitecer.


Helena Kolody
in ‘Viagem no Espelho’ 

4 de mai. de 2012

LUZ E SOMBRA



Luz e sombra
lutam n'alma.

Só depois do sol ausente,
impera a noite.

Derrotadas
terra e treva,
reina a luz eternamente.

Helena Kolody

20 de abr. de 2012

NOTURNO URBANO



O cansaço anoitece
nas solidões aglomeradas.

Noite alta,
velam janelas,
semáforos insones.

Nem um trilar de grilo
estremece a teia do tédio

Helena Kolody
in Poesia Mínima