domingo, 15 de julho de 2012

NOITE DESMEDIDA


NOITE DESMEDIDA
(Anibal Beça)

Por quem se fez a noite do meu canto
fosse talvez pastor dessa ocarina
de muitos sons vibráteis como pranto
de partitura agônica e ferina

em que a medida exata principia
no labirinto negro - infinda hora.
Inevitável noite que em si é dia
mesmo sabendo raio dessa aurora

há de sangrar a inversa tessitura:
rubro poente - líquida ferida
a refletir a dor de tanta agrura

nesses perdidos traços que na vida
vão se forjando em forma de escritura
para a amplidão da noite desmedida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário