quarta-feira, 19 de setembro de 2012

DESEJO ESTÉTICO



A noite vem descendo ...
É a sombra de um mistério
que estende as asas no infinito do ar.
Na fímbria do horizonte,
qual branco lírio do jardim sidéreo
aparece o Luar.

Silêncio. A voz do sino
perdeu-se na amplidão. A sensitiva
reza, reza baixinho
para não despertar a patativa
que, entre as folhas do arbusto pequenino,
em doce embriaguez
dorme e sonha, talvez,
na volúpia do ninho.

O luar solitário
segue, tranqüilo, o curvo itinerário,
nas célicas regiões.
E eu sinto uma tristeza lancinante
ouvindo, a cada instante,
o adeus de nunca mais, das ilusões.

Passam auras em lânguidos queixumes,
doidejam pelo campo – os vaga-lumes,
o bosque emudeceu.
Só o rumor longínquo da cascata
repercute na mata
e a lua brilha no cetíneo céu.

Noite! Poema de estrelas! quem me dera
pelo azulado espaço,
entre as visões radiosas adejar
e, volvendo à remota primavera,
cingi-la, num supremo e longo abraço,
ao clarão do luar!

Emiliana Delminda
in Folhas Caídas

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