domingo, 4 de novembro de 2012

SONETO



Tivesse eu tua imóvel cintilância,
Estrela, não sozinho na infinita
Noite, a mirar, em longa vigilância –
Da natureza insone, ermo Eremita –
As águas móveis em seu mister santo,
Puro, de abluir humanos litorais,
Ou vendo o suave, recém-caído manto
Da neve sobre outeiros e aguaçais –
Não! mas ainda firme, ainda imutável
Sobre o peito da amada em floração,
Para sempre sentir seu pulso amável,
Desperto, sempre, em doce inquietação –
E o meigo, meigo sopro surpreender
E sempre assim viver – ou perecer.


John Keats

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