segunda-feira, 14 de maio de 2012

Noturno


Noturno

Estava a sonhar contigo,
Mas acordo de repente...
Ouço bater ao postigo
Lentamente...longamente...

Penso que és tu, morta ausente,
Que voltas ao teu abrigo.

Corro, impaciente, à janela.
Olho a noite. Ermo profundo...
O vento frio e iracundo
As árvores arrepela...

E eu pergunto às sombras: — E Ela?
Não voltará mais ao mundo?

O chão de folhas se junca
Ao vento que as solta e leva...
E ouço, em silêncio, na treva:
— Quem morre não vem mais nunca.

O CORVO de Poe se ceva,
Cravando-me a garra adunca.

— Ai! que saudade! — Maldigo
A vida, triste e descrente:
— Se eu dormisse eternamente...
E volto a sonhar contigo.

Bate o vento no postigo...
Cai a chuva lentamente...

Da Costa e Silva

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